Abrimos a série com uma homenagem prestada por Vera Pinheiro, jornalista, escritora e grande amiga daqui de Brasília, que nos brinda com um texto sereno, sensível, bonito e emocionante, escrito especialmente para celebrar o nascimento do João Augusto, nos idos de 2003
Um presentaço que o homenageado um dia certamente saberá reconhecer. Tomara.
Vera, muito obrigado pelo presente inesquecível. Para os demais, babem na preciosidade.
Foto abaixo: Vera com João Augusto ainda pititico.
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Para Sua Alteza, o príncipe João Augusto,
Vens a um mundo conturbado, que é feito de desencontros humanos, de valores morais esquecidos, de ternura contida, de amor falsificado e de algozes travestidos de amigos. Essa é a má notícia, que te conto em pergaminho esmaecido tão antigas são essas verdades, que ninguém consegue dar jeito. Fazem guerras em nome da paz, que deveria ser construída por todos. Matam pessoas por querer a terra, que não é de ninguém. Defendem a propriedade do que não tem dono. E há quem se adone do território sentimental alheio, e as vezes, até sacam fora do peito o coração, que sofre e desacredita em todos e em tudo de bom que pode ainda existir a partir de cada um de nós.
Mas há boas notícias, meu pequenino príncipe. Teu nome é nobre e altivo como já és, porque nasceste sabendo sorrir e tens, assim, a mais poderosa de todas as armas, justamente aquela que está esquecida no rosto de muita gente que cresceu, guerreou consigo mesmo e com a humanidade e amou menos do que devia. Mas tu sabes sorrir, recém-nascido. Essa é a boa notícia que trazes para mim e, por certo, para muitos que habitam um lugar especialíssimo desse mundo. Esse canto do mundo se chama família, que alguns não entendem bem como funciona e, assim, os ajustes constantes são necessários. Eu te falo de uma grande família universal que reúne corações. São pessoas que não se parecem fisicamente, não têm o mesmo sobrenome e muitas vezes sequer se conhecem, nunca se viram de perto, mas sabem que estão por aí, em algum lugar que a Vida colocou.
Esse recanto é o mais lindo e protegido do mundo e de seus dissabores. É como um planetinha à parte, onde a gente reabastece energia, repõe forças e se encoraja para viver a mais difícil e a mais bela de todas as emoções: amar. Há os que acham fácil...e falseiam tudo, chamando o falso de amor. Mas se não é fácil amar, felizmente não é impossível. Dá trabalho, porque exige empenho, construção e boa vontade. Persistência. Podes viver pelo reino amplo desse mundo, mas o teu verdadeiro castelo sempre será o teu lar, onde todas as glórias te serão dadas com sinceridade. Ali reinarás absoluto, não importa o que aconteça lá fora, onde dragões esperam abocanhar a boa-fé. O teu lar, a tua família, será o teu reino, o teu castelo, meu amado príncipe. Esse recanto te provará todos os dias que o amor existe desse jeitinho como te falei. Um amor que não duvida, insiste, persiste, acredita, tem fé na vida.
Não precisas crer em mim, mas em ti, porque tu és a maior e melhor prova disso, de que o amor existe com essa força de querer. Por isso tu vieste ao nosso mundo: por amor. Porque teu pai REInaldo e tua mãe-rainha te quiseram e te amaram muito, antes mesmo que viesses. E todos começaram a te amar também, sabendo que vieste para a grande família universal dos que, apesar de tudo, ainda apostam no amor, ainda vivem por amor, ainda sabem amar, ainda não desistiram do amor. Ama muito, então, João Augusto, sempre e a todos. O amor é essa ponte de esperança que a gente precisa atravessar para conhecer a felicidade. Balança, assusta um pouquinho, mas é bom demais. Vale a pena. Como tu.
Abençoado sejas com o amor em tua vida. Que seja assim para todo o sempre. Sua alteza, a princesa Veraluz (Verinha, a princesinha) te dá boas vindas neste reino e manda publicar em pergaminho circundado de dourado reluzente que o Sol imprimiu ao dia em que nasceste, pois, afinal, a vida ficou mais bela com esse teu sorriso tão puro
Vera Pinheiro
2 comentários:
Belíssimas as palavras da Vera! Confesso que, mesmo tendo lido o texto que Ela fez prá Águeda, não percebi a poetisa por completo. Ao final da leitura senti uma sensação muito gostosa.. não sei definir, mas foi muito boa. É voar na poesia. Beleza!
É isso aí, Compadre. Há que se munir da sensibilidade não tão comum entre pobres mortais para entender e gostar dos escritos da Vera.
Se tiver oportunidade, faça uma visitinha ao blog dela (o endereço está divulgado no CCC Sexta do dia 5 de dezembro). Valeu!!
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